Seu Aristides Bicalho comprou o sítio do Rio Preto em 1977, com sete vacas e uma dívida. No inverno seguinte fez a primeira fornada de queijo na cozinha de casa, com o pingo emprestado de um vizinho — o mesmo pingo que, alimentado toda madrugada desde então, ainda coalha o leite desta manhã.
Em 1981, o filho Elias abriu a marreta na encosta de pedra atrás do curral e escavou a cave que a família usa até hoje: 34 m² de rocha viva que se mantêm em 14 °C e 88% de umidade sem uma tomada sequer. Foi ele quem parou de vender queijo verde no atravessador e passou a segurar cada peça por 45 dias.
A neta Marina voltou de Tours em 2019 com diploma de afinadora e uma teimosia: separar as peças por cave, por pasto e por semana de ordenha. Quatro anos depois foi a caderneta dela que levou a prata do Mondial du Fromage. Hoje são 62 girolandas, 18.200 peças por ano — e nenhuma sai da cave sem o Elias bater com o dedo e ouvir.
- Aristides Bicalhofundador, 83 anos — ainda confere a ordenha às 4h30
- Elias Bicalhomestre queijeiro, 2ª geração — escavou a cave em 1981
- Marina Bicalho3ª geração, afinadora formada em Tours — cuida da maturação
- Zulmira Bicalhoo tacho de cobre do requeijão e a caderneta de encomendas